Investing.com - Os mercados globais ampliam o apetite ao risco sob o alívio da falta de aperto monetário imediato do Federal Reserve e com a China Evergrande. A Noruega se torna o primeiro grande banco central de economia avançada a aumentar as taxas de juros no pós-pandemia, enquanto o Copom aumenta a taxa Selic em 100 pontos-base. No entanto, a expectativa é que o Banco da Inglaterra e outros mantenham uma política monetária expansionista.

Os pedidos iniciais por seguro desemprego semanais serão divulgados, como de costume todas às quintas-feiras. IPOs continuam em Wall Street e o Citigroup faz um alerta terrível sobre os preços do gás natural.

Aqui está o que você precisa saber sobre os mercados financeiros na quinta-feira, 23 de setembro.

1. Rali continua nos mercados globais com ajuda do Fed e Evergrande
Os mercados globais continuaram seu rali enquanto o banco central da China novamente injetou uma grande quantidade de liquidez no sistema financeiro, enquanto as autoridades trabalhavam em uma solução de curto prazo para impedir a inadimplência oficial da incorporadora Evergrande (OTC:EGRNY).

Dow Jones Newswires relatou que as autoridades tinham instruído a Evergrande a evitar o calote em um pagamento de US$ 83 milhões em juros sobre um título em dólar com vencimento na quinta-feira. No entanto, não estava claro como Evergrande conseguiria o dinheiro necessário.

Outras ações imobiliárias da China subiram em meio a um cenário de reportagens sugerindo que Evergrande será cindida de forma a evitar a inadimplência de pessoas físicas e fornecedores, o que é visto como fundamental para preservar a confiança do mercado, mas que não se resolve as dúvidas de longo-prazo sobre a desalavancagem atrasada do setor.


2. Selic: o que dizem os economistas após alta de 1 p.p.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmou a sinalização da reunião anterior e elevou a taxa Selic de 5,25% para 6,25% nesta quarta-feira (22), além de indicar novo aumento de mesma magnitude na reunião seguinte.

Para Leonardo Pellandini, estrategista de ações da Julius Baer, a alta vem na esteira da alta do IPCA acima da expectativa em julho e agosto. “Isso pressionou o Banco Central a continuar com ritmo agressivo de contração monetária para ancorar as expectativas”, diz. Pellandini prevê que a taxa Selic atinja 8,25% no fim do ano.

Já Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, afirma que a autoridade monetária se ateve ao guide da reunião anterior, mas com “dificuldade para justificar uma manutenção no ritmo de elevação da Selic”. Sanchez projetava uma alta de 125 pontos-base, devido à desancoragem da expectativa de inflação para 2022 no Boletim Focus (4,1%) e confirmada no cenário-base do Copom (3,7%) no comunicado, ambos acima do centro da meta de 3,5%. Prevendo mais três altas de mesma magnitude, Sanchez estima o fim do ciclo na reunião de janeiro, a 9,25%.

Enquanto a Itaú Asset prevê o fim do ciclo em 8,5%, mas passível de modificação de acordo com os comentários vindouros dos diretores do Copom. “Notamos que existe espaço para alteração no ritmo de aumento, mas acreditamos que ainda é cenário base a manutenção do passo de 100bps”.

“A magnitude do aumento já era esperada por mais de 90% do mercado, o que, portanto, não deve trazer grandes surpresas hoje”, avalia Vanessa Blum Colloca, diretora da GetMoney e colunista do Investing.com.


3. Outros bancos centrais: Noruega sobe a taxa, Inglaterra mantêm
O banco central da Noruega se tornou o primeiro entre as principais economias avançadas a aumentar as taxas de juros desde a pandemia. O Norges Bank aumentou sua taxa básica de 0% para 0,25%, sinalizou uma nova alta em dezembro e aumentou suas expectativas para a taxa básica em 2022 de 1,3% para 1,4%.

Ainda é o caso: o Banco da Inglaterra não mudou a política, mantendo a taxa de juros em 0,1% em decisão unânime. A autoridade monetária do Reino Unido baseou sua decisão com a retirada do apoio fiscal significativo da economia pelo governo. A Suíça também deixou sua taxa básica inalterada.

Com exceção do Brasil, os bancos centrais dos mercados emergentes também adotaram uma postura ligeiramente mais dovish nas últimas semanas: a Turquia deve se juntar a Taiwan e Filipinas para manter as taxas hoje.

4. Ações devem abrir em alta; IPOs em Wall Street
Os mercados de ações nos EUA devem abrir em alta novamente, estendendo os ganhos obtidos na sequência da conferência de imprensa do Federal Reserve de quarta-feira.

O novo 'gráfico de pontos' (dot-plot) do Fed mostra que metade dos formuladores de políticas no conselho agora apoia um aumento nas taxas de juros no próximo ano, um contraste marcante do início deste ano, quando a maioria não via aumentos até 2024. O presidente do Fed, Jerome Powell, também deu a entender que o o banco central pode descontinuar suas compras de títulos até meados do ano que vem.

O mercado, portanto, resistiu a uma mudança significativa nas expectativas de política monetária nas últimas semanas e ainda está perto de seus máximos históricos registrados no início do mês. Às 08h24, os futuros do Dow Jones, o S&P 500 futuros e os futuros do Nasdaq 100 avançavam por volta de 0,5%, à espera dos números dos pedidos iniciais por seguro-desemprego às 09h30. O EWZ, fundo de índice que replica o Ibovespa em Nova York, subia 0,3% no pré-mercado.

A sensação de alívio com a nova orientação do Fed e as notícias da China forneceram um pano de fundo positivo para a atual onda de IPOs em Nova York. O grupo de software de pagamentos Toast (NYSE:TOST) viu suas ações subirem 56% na estreia na quarta-feira, enquanto o Freshworks, um grupo de software de negócios visto como rival do Salesforce (NYSE:CRM) (SA:SSFO34), subiu 36%.

A semana terá a corretora Robinhood (NASDAQ:HOOD) envolvida em pelo menos três IPOs - a Brilliant Earth (NASDAQ:BRLT), uma empresa com foco em joias de origem ética, a empresa de diagnósticos médicos Cue Health e o minerador de Bitcoin do Reino Unido, Argo Blockchain (LON:ARB).

5. Citi alerta para apocalipse do gás natural
O inverno está chegando ao mercado de gás natural, pelo menos segundo analistas do Citigroup.

O banco disse que os preços do gás podem atingir um pico de mais de US$ 100 por milhão de BTU neste inverno, devido aos estoques europeus sazonalmente baixos, à explosão da demanda chinesa e às restrições de oferta da Rússia à Nigéria. Isso equivale a um preço do petróleo de US$ 580 o barril.

As dificuldades em aumentar a oferta em pouco tempo tornam o mercado global vulnerável a picos de preços durante o inverno, disseram analistas do Citi. Pelo menos no curto prazo, um dos fatores por trás da alta deste mês se inverteu: o vento começou a soprar no noroeste da Europa novamente, reduzindo a necessidade de energia fóssil no Reino Unido.

Fonte: Investing