Nos últimos tempos, a China e o Bitcoin não têm sido os melhores amigos, isso é fato. Esse ano, o país asiático já fez o preço da criptomoeda despencar com a proibição de mineradores em seu território. A diferença é que desta vez, não foi um ataque direto ao mercado de criptoativos, muito menos foi o governo chinês quem causou o furdúncio.

O que aconteceu foi que a Evergrande, segunda maior imobiliária chinesa, vinha se endividando faz um tempo, a empresa não conseguiu manter o faturamento previsto. Hoje, estima-se que a companhia tem um passivo na ordem de U$ 300 bilhões.

Nesta quarta-feira (22), foi acertado um pequeno acordo da Evergrande com um credor local, o que trouxe certo alívio e leve recuperação nas Bolsas, porém os mercados internacionais continuam em suspense, aguardando um desfecho para essa situação.

Mesmo assim, o mercado mundial ainda teme um possível calote, ou falência da empresa, que hoje possui um valor de mercado 85% menor. Qualquer decisão mal tomada em relação à Evergreen pode desencadear uma crise que pode atingir toda a economia global.

O motivo disso é que grande parte dos empréstimos e financiamentos feitos pela empresa saíram de bancos e instituições financeiras da China.

Foi por isso que os mercados do mundo inteiro abriram em queda na segunda-feira (20), desde a Bolsa de Hong Kong, onde a empresa está listada, até a Bolsa de Nova York. A turbulência continua desde então.

No entanto, em alguns países da Ásia, os índices das Bolsas tiveram hoje uma leve retomada. O Shanghai Composite fechou positivo em 0,4%, na volta de dois dias de feriado.

Como isso afeta o mercado de criptoativos?
Não foi afetado somente o mercado de ações mundial, mas também o mercado de criptomoedas, que enfrenta quedas e alta volatilidade. O motivo disso, segundo o analista André Franco, especialista em criptomoeda da Empiricus, pode ser a alta liquidez do ativo:

“Essa aversão ao risco global, primeiramente coloca o Bitcoin, ou as criptomoedas, como um ativo extremamente líquido que consegue cobrir outras posições que você não possa vender”, diz.

O analista também aponta que a queda é módica, perto do que já foi visto ou do que é comum no mundo das criptomoedas.

“Estamos vendo o mercado chinês caindo mais de 4%, outras Bolsas até mais do que isso, enquanto o Bitcoin caiu 9% nos últimos cinco dias. Historicamente não é uma queda muito forte”, afirma.

No entanto, André Franco segue otimista. Ele explica que, caso a questão da queda do mercado cripto seja apenas a questão macro chinesa ou eventualmente regulatória, ambas são “besteiras” quando o pensamento é a longo prazo.

“Eventualmente, se você tiver a possibilidade de colocar mais dinheiro, coloque. Esses momentos de desespero são recompensadores lá na frente.” diz

André comenta ainda que quando é falado em longo prazo, a situação favorece quem tem “coração forte” e não se desfaz de sua posição em criptomoedas.

“Quem comprou agora a U$ 40 mil um ativo que pode chegar a U$ 100 mil, está comprando barato. Agora, quem vende no desespero está fazendo justamente o contrário disso. É hora de manter a posição e até aumentar eventualmente”, afirma ele.

Além disso, é interessante reparar na função de “âncora” ou “foguete” que o Bitcoin tem em relação a moedas menores, ou “altcoins” como são chamadas.

Quando o Bitcoin cai, a tendência é que ele leve essas criptomoedas menores para baixo. Entretanto, quando o Bitcoin sobe, é normal lançar estas moedas menores as alturas. Essa baixa do Bitcoin dá a possibilidade de estudar e buscar estas moedas menores, e que estão com preços baixos no momento, mas com potencial de valorização.

Importante ressaltar que o analista recomenda que a exposição dos investidores ao mercado de criptoativos seja algo em torno de 1% a 5% do patrimônio total, já que trata-se de um mercado mais arriscado.

Fonte: Money Times